ESTUDO COMPARATIVO DO DESEMPENHO FINANCEIRO ENTRE FIRMAS E SEGMENTOS DE UM SISTEMA AGROINDUSTRIAL RESUMO

December 17, 2016 | Author: Milton Furtado Barroso | Category: N/A
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ESTUDO COMPARATIVO DO DESEMPENHO FINANCEIRO ENTRE FIRMAS E SEGMENTOS DE UM SISTEMA AGROINDUSTRIAL

RESUMO Notoriamente, o conceito de sistemas agroindustriais foi aceito por toda a comunidade acadêmica e muito difundido na última década. Pensar em sistemas significa, prioritariamente, discutir como os elos ou segmentos se interagem. Qual a influencia de um segmento sobre o outro, mediante troca de produtos com altos níveis de especificidade de ativo, que é o caso de cadeias agroindustriais. Nesta linha de trabalho, muito se discutiu sobre as relações contratuais e custos gerados pela transação propriamente dita. Os estudos de economia industrial não deram a devida importância para as questões financeiras nas firmas e entre as firmas. Este fato, não considerar o papel do capital (dinheiro), empobreceu os modelos com relação à proximidade da realidade. Firmas objetivam lucro, essencialmente, decorrente da sua produção. Observar o desempenho financeiro de uma firma deixou de ser somente de interesse das ciências contábeis. Desta forma, uma empresa inserida dentro de um determinado segmento em um sistema agroindustrial pode auferir maiores lucros? Como os segmentos se interagem pelo ponto de vista financeiro? Entender como um segmento de um sistema agroindustrial interfere nos índices de desempenho financeiro de outro(s) segmento(s) ou das firmas e saber se firmas que participam de grupos conglomerados (estruturas verticalizadas) obtiveram melhores resultados financeiros, será o foco principal deste trabalho. Desta forma, foram selecionadas 125 empresas, com dados contábeis referente ao exercício de 2003, divididas em segmentos que juntos formam um modelo de sistema agroindustrial. Os segmentos determinados foram o de Insumos, Agropecuária, Agroindústria, Atacadistas e Varejistas. Para cada segmento foram selecionadas 25 empresas. Além desta divisão por segmentos, as firmas foram classificadas em participante de conglomerado ou não. Para cada empresa foram calculados os índices de rentabilidade financeira Margem Líquida (ML), Retorno sobre os Investimentos (ROI) e Giro do Ativo (GA). Através destes indicadores, verificou-se a interferência de um segmento em outro com relação aos valores destas variáveis financeiras. Com o objetivo de validar estatisticamente os resultados, ou seja, se houve diferença significativa entre os valores médios das variáveis entre os 5 segmentos, aplicou-se o método da Análise de Variância (ANOVA), testando o efeito da média das variáveis entre segmentos e se houve interação significativa dos efeitos segmento e conglomerado, individual e adicionados. Assim, pode-se dizer que o as médias dos indicadores de rentabilidade entre os segmentos foi significativo, ou seja, pelo menos dois segmentos apresentaram valores médios diferentes entre si. Da mesma forma, notou-se que um segmento interfere no valor médio das variáveis de outro segmento. Por outro lado, não foi significativo o efeito conglomerado isolado entre as empresas. Já para o efeito conjunto, conglomerado versus segmento, observou-se que houve interferência significativa somente na variável Giro do Ativo. Finalmente, pode-se notar que o desempenho financeiro entre um segmento e outro, não foi igual, destacando-se (melhor desempenho financeiro) o setor de Insumos e Atacado.

Fato que pode corroborar para o surgimento de um novo tipo de coordenador das cadeias agroindústrias, ou seja, baseado no desempenho financeiro do segmento. PALAVRAS CHAVES: FINANÇAS, AGRIBUSINESS, COORDENAÇÃO

1. INTRODUÇÃO É notória na literatura econômica uma separação entre o conjunto de fenômenos reais, relacionados à produção e os fenômenos financeiros. A grande maioria dos trabalhos de economia industrial não dá suficiente atenção às questões financeiras presentes em qualquer empresa. Fica claro que por muitos anos os aspectos financeiros eram tratados exclusivamente pelas ciências contábeis, principalmente no tocante aos mecanismos de financiamento das empresas. A partir dos anos 50 observa-se um aumento considerável de trabalhos que relacionam sistemas financeiros com sistemas industriais. A principal questão é saber de que forma as condições de financiamento e a estrutura de financiamento das empresas interferem nas suas decisões de investimento (Pinto Jr., 2002). É evidente que as questões financeiras reportam as empresas à realidade. Não existe investimento e produção sem recursos financeiros. Estudar empresas sem levar em consideração a estrutura de capital e as fontes de financiamento é criar modelos demasiadamente simplificados. Os recursos financeiros são as engrenagens que move a economia da empresa. Até meados da década de 60 as empresas eram estudadas isoladamente, principalmente pelos princípios microenômicos. É claro que através dos estudos de equilíbrio de mercado, curvas de oferta e demanda e dos vários tipos de mercado que as empresas poderiam estar atuando (monopólio, oligopólio, por exemplo), fica explícito a preocupação dos estudos econômicos com as demais empresas que compunham o mercado. Mesmo assim, nota-se uma preocupação em entender como a empresa deveria se comportar perante um mercado, principalmente no que diz respeito à fixação do preço dos produtos e da quantidade que seria ofertada. Na última década tem se discutido intensamente a importância econômica dos arranjos empresariais quer seja ele caracterizado como uma rede ou uma cadeia agroindustrial. Estes arranjos surgem basicamente em função da necessidade de comprar e vender mercadorias e serviços. Desta forma, notam-se arranjos coordenados não só pelos preços dos produtos ofertados e/ou demandados, mas também pelo tipo de relacionamento, ou melhor, pela transação que se realiza. Do ponto de vista financeiro, Shumacher & Boland (2005), discutem a importância das empresas estarem ou não inseridas em segmentos de negócio e arranjos empresariais. Assim, surgem duas linhas de teorias a respeito deste assunto, ou seja, uma primeira que justifica o desempenho financeiro de uma empresa através da cadeia que ela esta inserida. Em outras palavras, se a cadeia apresentar um alto desempenho financeiro médio, as empresas que fazem parte dela deverão apresentar desempenhos semelhantes. A segunda linha de teóricos raciocina justamente ao contrário, isto é, se as empresas apresentarem alto desempenho, a

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cadeia também apresentará. Enfim, para a primeira linha o que importa é a cadeia, para a segunda o que importa é a empresa.

Uma outra linha de pensamento é a da Economia dos Custos de Transação, teorizada por Willianson (1998). Basicamente esta vertente estuda as empresas como mecanismos que transacionam tanto internamente como com outras empresas inseridas em um ou vários arranjos. Desta forma, as transações passam a ser o centro do estudo, onde a busca por formas e mecanismos que minimizem os custos que são gerados nestas transações passa a ser o desafio dos pesquisadores. As variáveis principais do modelo desenvolvido por Willianson (1998) são a incerteza da transação, a especificidade dos ativos de troca e a freqüência com que elas ocorrem entre os agentes. Assim, quanto mais um bem ou serviço se aproxima da idiossincratia (extremo superior da variável especificidade do ativo) maior a necessidade das empresas se relacionarem através de mecanismos que reduzam seus custos transacionais, ou seja, por contratos formais ou tácitos. Nos negócios, parece ficar muito claro que somente transações financeiramente equilibradas acabam perdurando por mais tempo, principalmente quando a especificidade dos ativos envolvidos é alta e a freqüência com que as transações ocorrem, também. Desta forma, situações oportunistas geram custos elevados de transação e trás grandes dificuldades para que as contratações sejam duradouras. Observando um sistema agroindustrial, a coordenação é praticada, normalmente, por um agente de destaque, ou seja, um elo com mais força de mercado. Em vários momentos, nota-se que o consumidor final tem grande papel coordenador, principalmente pela ótica do marketing. Há de se acrescentar que por força dos oligopólios formados neste sistema, percebe-se que as agroindústrias acabam exercendo uma coordenação financeira sobre os elos mais próximos, através da formação de preço dos produtos acabados que chegarão até as prateleiras dos supermercados (para frente no sistema) e pela determinação (situação onde existe contrato que pré-estabelece um preço que será pago pelo produto agropecuário) do valor que será pago ao produtor rural (para trás no sistema). Inevitavelmente, espera-se que em situações como esta, existam agentes com desempenhos financeiros muito mais elevados que outros, isto é, empresas praticando lucros extraordinários. Em contrapartida, outras empresas posicionam-se como tomadoras de preços e por conseqüência, não conseguem controlar seu desempenho financeiro de forma eficiente. Neste contexto de incerteza e oportunismo, algumas empresas começaram a se estruturar em conglomerados ou corporações. Este tipo de estrutura nada mais é que uma integração ou verticalização da produção de bens e serviços. Fica muito claro que este tipo de estrutura aparece para reduzir custos transacionais. Pelo ponto de vista econômico, os conglomerados surgem principalmente por questões de ganho de escala e pela diversificação dos bens e serviços ofertados, fato que garante maior competitividade destas estruturas no mercado (MacGahan & Porter, 1997). Normalmente os conglomerados acabam atuando em vários segmentos de uma ou mais cadeias. É extremamente razoável argumentar que para o sucesso de uma cadeia agroindustrial, todos os seus elos deveriam ter desempenho financeiro semelhante, ou seja, pelo menos

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atingir o ponto onde a taxa de retorno supere o custo de oportunidade. Evidentemente, podese dizer que uma empresa com prejuízo contábil e/ou econômico não resistirá no mercado por muito tempo, prejudicando e comprometendo o fluxo de bens e serviços pela cadeia agroindustrial. Assim, custos como os para desenvolver fornecedores e clientes, curva de aprendizagem, elaboração de novos contratos, podem ser evitados, desde que se observem os agentes sobre o ponto de vista da sua saúde financeira. Desta forma, este trabalho será um estudo preliminar das relações financeiras entre os agentes (segmentos) de um sistema agroindustrial, e entre os tipos de empresas dentro de um segmento, isto é, se há desempenho diferente entre empresas únicas e conglomerados.

2. OBJETIVOS Este trabalho tem como objetivos: a) Determinar para os vários tipos de empresas os indicadores de rentabilidade: Margem líquida (ML), Retorno sobre Ativos (ROI) e Giro do Ativo (GA); para o seu segmento e para o sistema agroindustrial como um todo; b) Analisar através dos indicadores de rentabilidade o desempenho financeiro de cada segmento, testando a hipótese que o desempenho financeiro entre os segmentos são diferentes; c) Determinar se existe correlação significativa entre o desempenho financeiro dos segmentos, ou seja, se um segmento influencia de alguma forma o desempenho de outro; d) Verificar se a estrutura de conglomerado trás alguma vantagem financeira significativa perante as empresas não-integradas; e) Avaliar se existe um efeito conjunto significativo do segmento e conglomerado sobre o desempenho financeiro das empresas.

3. ARCABOUÇO TEÓRICO 3.1.

CADEIA DE VALOR

Segundo Porter (1986), uma empresa é uma série de processos inter-relacionados denominada ”Cadeia do Valor“. Assim, para se compreender a empresa é necessário a efetiva compreensão das relações entre os processos que a compõe, e também reconhecer que uma empresa deve ser vista dentro do contexto de uma cadeia global de atividades, onde é gerado o valor. Considerando que uma das principais metas de qualquer empresa é o crescimento da rentabilidade de seus produtos, até por uma questão natural de sobrevivência, ela pode, segundo a visão de Shank (1997), aumentar sua lucratividade não apenas compreendendo sua própria cadeia de valor do projeto à distribuição, mas também compreendendo como suas atividades de valor encaixam-se nas cadeias de valor dos fornecedores e dos clientes. Ë que, estruturalmente a cadeia de valor de uma unidade empresarial, é composta por atividades estratégicas as quais são exercidas por seus respectivos componentes funcionais, incluindo desde os fornecedores das matérias-primas básicas, até os consumidores finais. Para que uma

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empresa possa alcançar metas de melhoria de desempenho, e conseqüentemente um aumento significativo na sua lucratividade, ela deve dentro de uma perspectiva estratégica a partir do conceito de cadeia de valor, analisar quatro áreas fundamentais de melhoria: as ligações com os fornecedores e clientes, os processos dentro de uma unidade empresarial e as ligações através da cadeia de valor da unidade empresarial dentro da organização. 3.2.

O SISTEMA AGROINDUSTRIAL

Visualizado sob diferentes denominações, tais como: sistema agroindustrial, agribusiness, agroindústria, complexo agroindustrial e outros; Neves et alii (1997) descreve a difusão do conceito do sistema agroindustrial com base na idéia de um "fluxo de agregação de valor", desde a indústria de insumos, passando pela produção rural, pelas agroindústrias, pela distribuição, até o consumidor final (Figura I).

Empresas de Insumos

Produção Agropecuária

Agroindústria

Atacado

Varejo

Consumidor

Figura 1. Modelo de Sistema Agroindustrial

Farina & Zylbersztajn (1992) adotam o conceito de sistema agroindustrial de alimentos, que se organiza a partir de cadeias produtivas, definidas em termos de produtos específicos. Definem a cadeia produtiva como "... um recorte dentro do sistema agroindustrial mais amplo, privilegiando as relações entre agropecuária, indústria de transformação e distribuição, em torno de um produto principal”. Segundo Farina & Zylbersztajn (1992), utiliza-se o termo Sistema Agroindustrial de Alimentos, representado pela soma de componentes envolvidos na produção de matériasprimas e insumos, industrialização e comercialização de alimentos, com a finalidade comum de atender às necessidades da população e garantir a sobrevivência e desenvolvimento do próprio sistema. Por outro lado, entende-se por Cadeia de Produção Agroindustrial a subdivisão do sistema em função de especificidades de cada produto. A abordagem do agronegócio sob o aspecto sistêmico implica a organização dos componentes para que os objetivos comuns possam ser efetivamente atingidos. Lazzarini et alii (1995) observam que a busca da vantagem competitiva, por si só acaba sendo sobreposta pela necessidade de coordenação de todo o sistema, da indústria de insumos até o consumidor final, objetivando a potencialidade e competitividade do sistema como um todo, de forma que todos sejam favorecidos. Goldberg (1968) define que os sistemas agroindustriais compreendem os segmentos "antes, dentro e depois da porteira da fazenda". Este sistema agroindustrial seria composto por vários subsistemas agroindustriais associados aos principais produtos. Envolveria, ainda, órgãos de coordenação, como as firmas, as cooperativas, as associações de empresas e mesmo

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os mercados e serviços de apoio como créditos, mão-de-obra, transporte, energia, comercialização e marketing. (Siffert Filho & Faveret Filho, 1998).

Em relação ao aspecto organizacional, Farina & Zylbersztajn (1992) afirmam que a dinâmica dos sistemas agroindustriais é determinada, também, pela forma de organização das cadeias produtivas. A organização de uma cadeia produtiva descreve a forma de distribuição das atividades entre as firmas e como estas se relacionam. As forças que moldam sua estrutura são de varias ordens, podendo resultar em integração vertical, contratação ou na ação conjunta através de cooperativas. Do ponto de vista financeiro, as alterações estão por conta das novas formas de alavancagem dos negócios, em que novos instrumentos financeiros estão sendo criados, permitindo uma ampliação do investimento original. Além disso, grande volume de fusões, através de acordos operacionais, joint ventures ou parcerias, definem um processo de centralização de capital. É importante destacar que, em alguns casos, pode ser observada a atuação das empresas processadoras como financiadoras dos produtores, através do fornecimento dos fatores necessários à produção, como a ração, medicamentos e até mesmo os animais para engorda, como no caso do frango e do suíno. Assim, a forma de relacionamento pode definir as condições de fornecimento, garantias mútuas e recursos necessários para impulsionar a produção da matéria-prima nos padrões exigidos. Esta condição explica a verticalização através de contratos nas agroindústrias de frango e suínos.

3.3.

ÍNDICES DE RENTABILIDADE

3.3.1 ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ

Definição das Variáveis

Receita líquida - Receita operacional líquida. Valor obtido com a dedução, a partir da receita bruta, de impostos, descontos e devoluções. Igual a faturamento líquido ou vendas líquidas. Lucro líquido - Resultado líquido, ou seja, lucro ou prejuízo líquido apurado no exercício social e divulgado na demonstração do resultado. Margem líquida - Relação entre o resultado líquido e a receita operacional líquida, em porcentagem. É um dos indicadores de lucratividade mais utilizados pelo mercado para analisar empresas não financeiras. Lucro da atividade - Resultado, ou seja, lucro ou prejuízo operacional do exercício sem as operações financeiras. Indica a capacidade da empresa de gerar lucros apenas com sua atividade-fim. Lucro financeiro - Resultado positivo ou negativo apurado pela comparação entre receitas e despesas financeiras do exercício. O lucro nesse quesito aumenta o resultado operacional, enquanto o prejuízo o diminui. Lucro não operacional - Resultado, ou seja, lucro ou prejuízo decorrente de operações não recorrentes da empresa, como a venda de um imóvel que faz parte do ativo fixo ou a cisão de departamentos ou unidades de negócios para constituição de novas pessoas

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ƒ

ƒ ƒ

jurídicas. Ao contrário do que comumente se supõe, as transações financeiras realizadas no exercício não são contabilizadas nesta rubrica, e sim no resultado operacional. É por esse motivo que estamos introduzindo na publicação o conceito de Lucro da Atividade, pelo qual se pode visualizar o resultado operacional livre das transações financeiras; Ebitda - Sigla, em inglês, de Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization, que em português se traduz por lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações. É um indicador que mede a capacidade de geração de recursos próprios por uma empresa. Ativo total - É a soma das contas do ativo, conforme divulgado no balanço patrimonial da empresa. Patrimônio líquido - Valor apresentado no balanço patrimonial como tal, também conhecido por passivo não exigível. 3.3.2

Cálculo dos Índices de Rentabilidade (desempenho financeiro)

Silva (2001) argumenta que os índices deste grupo mostram qual a rentabilidade dos capitais investidos, isto é, quando renderam os investimentos e, portanto, qual o grau de êxito econômico da empresa. ƒ

Giro do Ativo (GA)

GA = Vl ATm

onde: Vl – Vendas líquidas (Receita Líquida) ATm – Ativo Total médio Mostra quanto a empresa vendeu para cada $ 1,00 de investimento total. O volume de vendas tem relação direta com a montante de investimento. Não se pode dizer se uma empresa esta vendendo pouco ou muito se olhando apenas para o valor absoluto de suas vendas. Este índice mede o volume de vendas da empresa em relação ao capital total investido. ƒ

Margem Líquida (ML) ou Retorno sobre as Vendas (RSV)

ML = LL VL × 100 onde: LL –Lucro Líquido VL – Vendas Líquidas (Receita Líquida)

A Margem Líquida, segundo Brighan (2001) e Martins (2002), mostra o quanto à empresa obtém de lucro para cada $ 1,00 vendidos. Compara o lucro líquido em relação às vendas líquidas do período, fornecendo o percentual de lucro que a empresa está obtendo em relação ao faturamento.

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ƒ

Retorno sobre o Ativo (ROI)

ROI = LL

×100 ATm

onde: LL –Lucro Líquido ATm –Ativo Total Médio

Martins (2001) mostra o quanto a empresa obteve de lucro para cada $ 100 de investimento total médio. Este índice mostra quanto a empresa obteve de lucro liquido em relação ao ativo. É uma medida do potencial de geração de lucro da parte da empresa, uma medida da capacidade da empresa em gerar lucro liquido e assim poder capitalizar-se. Segundo Brigham (2001), o retorno sobre o ativo é o produto do giro do ativo pelo retorno sobre as vendas, isto é,

LL

VL LL = × ATm ATm VL

Esta relação pode ser melhor visualizado pelo Método Du Pont (Figura II). Desta forma, o retorno sobre o investimento caracteriza o lucro como uma espécie de prêmio pelo risco assumido no empreendimento.

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Vendas

(-)

Margem de Contribuição Sobre CV

Custo Variável Total

(-)

Lucro Líquido (/)

Margem Líquida

Custos Fixos Vendas (x)

Retorno sobre o Ativo

Vendas

Circulante (+)

(/)

Giro do Ativo

Realizável Ativo (+) Permanente

Figura 2– Método de Du Pont (baseado em Silva, 2001)

ƒ

Rentabilidade do Patrimônio Líquido (RPL)

RPL = LL

×100 PLm

onde: LL –Lucro Líquido PLm –Patrimônio Líquido Médio

Silva (2001) demonstra o quanto a empresa teve de lucro para cada $ 100 de capital investido. O papel do índice de rentabilidade do patrimônio liquido é mostrar qual a taxa de rendimento do capital próprio. Essa taxa pode ser comparada com a de outros rendimentos alternativos no mercado. O retorno sobre o patrimônio líquido é a composição da inter-relação lógica entre 3 índices, ou seja, o retorno sobre as vendas, o giro do ativo e a estrutura de capitais da empresa. É importante saber que o retorno do patrimônio líquido é fruto do esforço de 3 variáveis dependentes entre si, de modo que cada uma interage sobre a outra.

LL

PLm

= LL

×VL ×ATm VL ATm PLm

onde: LL –Lucro Líquido PLm –Patrimônio Líquido Médio VL – Vendas líquidas (Receita Líquida)

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ATm – Ativo Total médio

3. MATERIAL E MÉTODO

3.1.MATERIAL

Através da revista Valor 1000 de setembro de 2003, foram selecionadas 25 empresas do setor da agricultura, 25 de alimentos, 25 de atacado, 25 do varejo e 25 da indústria de insumos e bens de duráveis (total de 125 empresas - Dados referente ao encerramento em 31/12/2002) 1 que se enquadravam em um dos segmentos descritos pela Figura I. Desta forma, adotou-se o seguinte critério classificatório (Ilustração I):

Ilustração 1. Agrupamentos das empresas em segmentos (elos)

ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ

Setor (Valor 1000) Mecânica Mineração Plástico e Borracha Química e Petroquímica Veículos e Peças Agricultura Alimentos Comércio Atacadista Comércio Varejista

Agente da Cadeia Agroindustrial

INDÚSTRIA DE INSUMOS

PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA AGROINDUSTRIA ATACADO VAREJO

Fonte: Valor 1000 (09/2003)

A revista Valor Grandes Grupos de dezembro de 2003, apresenta o ranking dos 200 maiores grupos do país por receita bruta consolidada e seus organogramas de participação acionária. Os organogramas estão divididos por área (comércio, finanças, indústria e serviços). Desta forma, foi verificado quais das 125 empresas selecionadas da amostra é participante de um conglomerado ou grande grupo econômico. Além da classificação obtida através da revista, adotou-se também como um grande grupo as cooperativas agropecuárias. Este tipo de empresa atua em vários segmentos, contraindo uma conotação de empresa verticalizada, isto é, de conglomerado. Após classificar e agrupar cada empresa foi calculado o valor da Margem Líquida (ML) em porcentagem, do Giro do Ativo (GA) e do Retorno sobre Investimentos (ROI), em porcentagem. Estes cálculos foram feitos individualmente.

1

Por motivo de economia de espaço, todos os anexos contendo a relação de empresas por segmento, os dados de balaço e demonstração de resultado e a memória de cálculo dos índices de rentabilidade estão disponíveis através de pedido via e-mail à um dos autores.

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3.2.MÉTODO

Inicialmente será feita a classificação e agrupamento de cada empresa (amostra de 125 empresas). Assim, calculou-se o valor da Margem Líquida (ML) em porcentagem, do Giro do Ativo (GA) e do Retorno sobre Investimentos (ROI), em porcentagem. Estes cálculos foram feitos individualmente (por empresa). Para análise foi utilizado um modelo geral linear, com a seguinte estrutura: Número de Observações : 125 Número de Fatores: 2 • Segmento – F1 • Conglomerado – F2 Estrutura da Matriz Fatorial Observação Segmento (F1) Conglomerado (F2) 1 (S) ou 0 (N) 1 até 25 1– Insumos 1 (S) ou 0 (N) 26 até 50 2– Agropecuária 1 (S) ou 0 (N) 51 até 75 3- Agroindústria 1 (S) ou 0 (N) 76 até 100 4- Atacado 1 (S) ou 0 (N) 101 até 125 5- Varejo Variáveis Dependentes • Margem Líquida (ML) • Retorno sobre os Ativos (ROI) • Giro do Ativo (GA) Efeitos (Interações) dos Fatores (Variáveis Independentes) • F1 sobre os valores das médias dos indicadores • F2 sobre os valores das médias dos indicadores • F1 x F2 sobre os valores das médias dos indicadores

Assume-se que uma interação representada graficamente é o relacionamento entre a média de uma variável dependente (ML, ROI ou GA), calculado a partir de uma variável independente (neste caso é o segmento) fixa e alternando os resultados com a outra variável independente, isto é, a presença ou não do conglomerado. Em outras palavras, o que se pretende é observar o comportamento da média da Margem Líquida de um segmento específico quando existem empresas dentro deste segmento que são ou não parte de conglomerados, por exemplo. Segundo Anderson (2003) e Hoffaman (1980), para verificar se existe diferença significativa entre as médias dos indicadores financeiros entre os segmentos e entre os dois tipos de estrutura organizacional, foi utilizado um teste de análise de variância, ou seja, o ANOVA 2 (One-Way). Para tanto, as amostras foram testados anteriormente com relação à sua independência, da distribuição normal e da homocedasticidade. Os testes aplicados foram o Bartlett Test (distribuição normal) e Levene Test. 2

Todos os testes foram feitos através do software estatístico Minitab 14.

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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após a coleta dos dados contábeis das empresas selecionadas, foi feita sua tabulação seguindo a disposição e estrutura adotada no modelo descrito anteriormente. Evidentemente, como os dados contábeis eram brutos, foram calculados e tabulados os indicadores do desempenho financeiro de cada empresa, gerando, assim, os valores das variáveis dependentes do modelo adotado. A seguir, aplicaram-se os testes de Bartlett e Levene a fim de confirmar as características desejáveis das amostras, ou seja, a normalidade dos dados e a homogeneidade das variâncias. Para todas as variáveis, isto é, Margem Líquida (ML), Retorno sobre Investimento (ROI) e Giro do Ativo (GA), o p-valor para o teste de Bartlett foi menor que 5%, confirmando que as amostras possuem uma distribuição normal. Já para o teste de Levene, relacionado a continuidade das variáveis, para a ML e ROI o p-valor foi menor que 10% e para GA foi menor que 5%. Desta forma, pode-se dizer que as amostras possuem distribuição normal e atende a exigência da homogeneidade das variâncias, assegurando a veracidade dos resultados obtidos pelo teste da ANOVA. Pelos Gráficos 1, 2 e 3 pode-se observar claramente a disposição dos valores para as variáveis estudadas por segmento do sistema agroindustrial.

Assim, foi aplicado o Modelo Linear Geral, utilizando o teste ANOVA, para cada variável isoladamente, buscando compreender o comportamento do seu valor médio quando exposto ao efeito do segmento, efeito conglomerado, e da interação de ambos os efeitos. A Tabela 1 é o resumo dos resultados obtidos através do modelo linear geral. Tabela 1. Valores Médios e do Erro Médio Padrão (EP) para Margem Líquida (ML), Retorno sobre Investimento (ROI) e Giro do Ativo (GA) versus Segmento e Conglomerado – Modelo Linear Geral com teste ANOVA INDICADORES DE RENTABILIDADE EFEITOS

ML (%)

SEGMENTO (F1) 1 2 3 4

7,945 3,464 4,350 2,438

5

-0,132

CONGLOMERADO (F2) 0(N) 1(S)

Média 3,628 3,599

F1 x F2 1 1 2 2 3 3 4

Média (a)

Média 0 1 0 1 0 1 0

8,651 7,240 3,533 3,395 1,400 7,300 3,342

ROI (%)

EP Médio 1,3196 1,9894 1,3024 1,5137 1,3859 EP Médio 0,9871 0,9395 EP Médio 1,6692 2,0444 3,7325 1,3783 1,7278 1,9492 1,4831

Média (b) 9,736 4,893 4,470 6,248 0,438 Média 5,431 4,882 Média 10,675 8,797 4,513 5,273 3,262 5,677 5,625

GA

EP Médio 1,8507 2,7900 1,8265 2,1229 1,9436 EP Médio 1,3844 1,3177 EP Médio 2,3410 2,8671 5,2346 1,9330 2,4231 2,7337 2,0800

Média (c) 1,295 1,499 1,766 3,985 2,423 Média 2,312 2,076 Média (d) 1,409 1,180 1,287 1,712 2,208 1,325 3,272

EP Médio 0,2296 0,3462 0,2266 0,2634 0,2412 EP Médio 0,1718 0,1635 EP Médio 0,2905 0,3557 0,6495 0,2398 0,3006 0,3392 0,2581

- 12 -

4 5

1 0

1,533 1,212

2,6393 1,5680

6,870 3,081

3,7014 2,1990

4,698 3,383

0,4592 0,2728

5

1

-1,475

2,2857

-2,205

3,2055

1,463

0,3977

(a) p-valor = 0,001, portanto o efeito é significante / (b) p-valor = 0,018, portanto o efeito é significante (c) p-valor = 0,000, portanto o efeito é significante / (d) p-valor = 0,000, portanto o efeito é significante

Os valores das médias de todos os indicadores de desempenho financeiro apresentaram, com um alto nível de significância, exposição ao efeito segmento. Desta forma, pode-se dizer que o segmento exerce poder sobre os valores médios dos índices financeiros das empresas (existe diferença significativa entre os valores médios de cada segmento). Observando os resultados com relação ao efeito conglomerado, isoladamente, nota-se que esta interação não foi significativa. Para o efeito conjunto, isto é, segmento e conglomerado, somente o Giro do Ativo apresentou p-valor menor que 5%, ou seja, está significativamente exposta a este efeito conjunto, apresentando diferença entre os valores médios da variável. Pela Tabela 1 e Gráficos 1, 2 e 3, pode-se dizer que o valor médio da Margem Líquida para o segmento 1 (Insumos) apresentou o maior valor (7,94%), seguidos dos segmentos 3 (Agroindústria) com 4,35%, segmento 2 (Agropecuária) com 3,46%, segmento 4 (Atacado) com 2,43% e finalmente o segmento 5 (Varejo) com um valor negativo (prejuízo) de -0,13%.

Apesar do efeito isolado do conglomerado não ter sido significativo (não se pode dizer que existe diferença significativa entre os valores médios das variáveis), vale ressaltar que as empresas que participaram de algum tipo de conglomerado obtiveram uma ML média de 3,59% e as demais de 3,62%. Da mesma forma, o ROI médio para as empresas que participaram de conglomerado menor que das demais, ou seja, 4,88% contra 5,43%. Para o GA médio, a situação foi a mesma, ou seja, as empresas conglomeradas obtiveram um valor de 2,07 e as demais 2,31. É interessante notar que as empresas de um determinado segmento e participantes de conglomerados, apresentaram uma ML média superior somente para o segmento 3 (Agroindústria), isto é, de 1,4% para as não conglomeradas e de 7,3% para as que participaram de algum tipo de conglomerado. Para a variável ROI médio, nota-se que as empresas conglomeradas e dos segmentos 2 (Agropecuária), 3 (Agroindústria) e 4 (Atacado) apresentaram um valor superior. Como já dito anteriormente, somente para a variável GA que a interação segmento versus conglomerado foi significativa. Assim, observou-se que somente nos segmentos 2 (Agropecuária) e 4 (Atacado) as empresas que participam de conglomerados obtiveram melhor desempenho com relação à utilização de seus ativos para geração de receita. Para as empresas do segmento agropecuário (1) que são partes de um conglomerado o GA foi de 1,71, contra 1,28 das demais. Com relação ao segmento atacado (4), empresa em conglomerado atingiu um GA de 4.69, contra 3,27 das demais. Este resultado leva a argumentação de que empresas em conglomerados (para os segmentos 1 e 4), ou seja, participante de estruturas mais verticalizadas acabam alcançando um desempenho maior com relação a utilização do seus ativos. Gráfico 1. Valores e Boxplot para a Margem Líquida por Segmento

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Valor da ML da Empresa vs Segmento

ML (% )

40

20

0

1

2

3 SEGMENT O

4

5

Boxplot da Margem Líquida (ML) por Segmento

ML (% )

40

20

0

1

2

3 SEGMENT O

4

5

Pelo Gráfico 1, um boxplot (gráfico de caixa) da média da Margem Líquida por segmento, observa-se que existe efetivamente alguma diferença entre os valores para cada segmento. Outro ponto a se discutir é sobre o risco financeiro (perspectiva de lucro) que cada segmento apresenta. As caixas do gráfico (desenho) representam o desvio padrão do valor da Margem Líquida para cada segmento. Assim, quanto mais alta for a caixa, maior será o desvio padrão do valor médio da variável em questão. Este é um forte indicador do risco financeiro do segmento, ou seja, quanto maior o desvio padrão, maior são as chances estatísticas de fracasso ou sucesso. Assim, observando o Gráfico 1, visualmente, nota-se que o segmento 1 (Insumos) apresentou o maior desvio padrão da ML, seguido dos segmentos 3 e 4. Os segmentos 2 e 5, apresentaram o menor desvio padrão. Gráfico 2. Valores e Boxplot do Giro do Ativo por Segmento

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Valor do GA da Empresa vs Segmento 8

GA

6 4 2 0 1

2

3 SEGM ENT O

4

5

Boxplot para Giro do A tivo (GA ) por Segmento 8

GA

6 4 2 0 1

2

3 SEGM ENT O

4

5

Pelo Gráfico 2 (valor médio do Giro do Ativo por segmento), nitidamente observa-se que os segmentos 4 e 5 apresentaram os maiores desvios padrão do valor médio do GA. Analisando matematicamente a fórmula do GA, pode-se dizer que esta variável sofre interferência tanto do nível de receita auferida como pelo montante aplicado em ativos. Mantendo a receita fixa, quanto maior for o montante investido em ativos, menor será o valor do indicador financeiro. Quando se depara com a questão de alto valor de desvio padrão do GA (para os segmentos 4 e 5), apresentada pelas caixas do Gráfico 2, pode-se afirmar que nestes segmentos as empresas ainda não atingiram um nível ótimo de investimentos em ativos produtivos (principalmente). É verdade que para empresas do ramo comercial (não são fabricantes de produtos), esperam-se baixos valores em ativos produtivos.

Gráfico 3. Valores e Boxplot para o Retorno sobre o Investimento por Segmento

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Valor do ROI da Empresa vs Segmento 50

RO I ( % )

25 0 -25 -50 1

2

3 SEGM ENT O

4

5

Boxplot para Retorno sobre Investimento (ROI) por Segmento 50

RO I ( % )

25 0 -25 -50 1

2

3 SEGM ENT O

4

5

O Gráfico 3, por analogia aos Gráficos 1 e 2, apresenta os valores médios do Retorno sobre Investimentos das empresas por segmento. Nota-se que para todos os segmentos parece haver uma isonomia entre os valores médios, somente destacando a segmento 1 (Insumos). É razoável dizer que os segmentos 1, 4 e 5 demonstraram um maior risco de investimento, em decorrência dos seus desvios padrões serem maiores que dos demais segmentos. Evidentemente, para ambos os Gráficos, espera-se que os valores de ML seja maior que zero, do GA maior que um e do ROI maior que zero. Fica claro que segmentos que apresentaram valores inferiores aos intervalos acima mencionados, tornam-se de alto risco financeiro. Pelos Gráficos 4, 5 e 6, poder-se-á inferir mais sobre como os efeitos segmento e conglomerado (corporação) interferem nos valores médios das variáveis de desempenho financeiro em estudo. Por uma questão interpretativa dos efeitos visualizados nos gráficos, pode-se afirmar que retas paralelas ao eixo das abscissas (X) indicam ausência do efeito, ou seja, a variável independente (segmento e conglomerado) não age nem positivamente nem negativamente sobre os valores das variáveis dependentes (ML, GA e ROI). Da mesma forma, para retas positivamente inclinadas em relação ao eixo das abscissas (X) afirma-se que o efeito existe e que age positivamente sobre o valor da variável dependente. Caso esta inclinação seja negativa, o efeito existe e age de forma contrária. Por conseqüência matemática, pode-se também dizer que quanto maior for o coeficiente angular da reta (∀), maior será a grandeza da interferência do efeito sobre os valores da variável dependente. Ainda tecendo explanações sobre geometria analítica, quando se analisam as interações dos efeitos sobre os valores das variáveis, retas positivamente ou negativamente inclinadas e paralelas entre si significa que existe interação porem, a grandeza é igual.

Gráfico 4. Valores da Margem Líquida sujeita aos efeitos de Segmento e Conglomerado

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Efeito Principal (dados médios) para ML SEGMENTO

V ERT

M édia par a M L

8 6 4 2 0 1

2

3

4

5

0

1

Interações (Valores Médios) para ML 10,0

SEGMENTO 1 2 3 4 5

M édia

7,5 5,0 2,5 0,0 0

1 Cor por ação

O Gráfico 4 apresenta o efeito isolado principal sobre as médias da Margem Líquida das empresas estudadas. Nota-se que no quadro Segmento há uma série de inclinações de retas, bem como dos valores médios da ML. Já para o quadro Conglomerado (VERT), observa-se que entre empresas que não estão inseridas em conglomerados (valor 0) e das que estão (valor 1), surge uma reta levemente inclinada, aproximando-se do paralelismo com o eixo das abscissas. Desta forma, pode-se dizer que existe interferência da variável segmento nos valores médios da ML, inclusive ele é mais proeminente entre os segmentos 1-2 e 2-3. Já o efeito conglomerado é inexpressível. Quando se analisam as interações de segmento versus conglomerado (corporação) sobre o valor da ML, nota-se que os segmentos 1, 4 e 5 sofrem interferência dos efeitos, porem, por serem retas quase paralelas, a grandeza dos efeitos sobre estes segmentos é semelhante. O segmento 2 não esta sujeito aos efeitos (reta paralela com o eixo X) da interação. Já o segmento 3 (Agroindústria) apresentou uma grande sensibilidade à interação, demonstrando que tanto empresas deste segmento tiveram um grande acréscimo no valor da ML quando inserida em estruturas verticalizadas (conglomerados). Para o Retorno sobre o Investimento (ROI), nota-se (Gráfico 5) o mesmo comportamento do efeito conglomerado sobre a variável ML, ou seja, não há significância. Observando o efeito segmento, pode-se dizer que há interferência sobre os valores do ROI, sendo que se manifesta de forma igual e mais intensa entre os segmentos 1-2 e 4-5 (retas paralelas e negativamente inclinadas). Para os segmentos 2-3 e 3-4 nota-se também a interferência do efeito, porém com uma grandeza menor.

Gráfico 5. Valores do Retorno sobre Investimento sujeito aos efeitos de Segmento e Conglomerado

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Efeito Principal (dados médios) para ROI S E G M E N TO

V E RT

M édia par a RO I

10 8 6 4 2 1

2

3

4

5

0

1

Interações (Valores Médios) por ROI 12

SEGMENTO 1 2 3 4 5

Média

8 4 0

0

1 C or por ação

Com relação ao efeito conjunto segmento versus conglomerado, observa-se, pelo Gráfico 5, que os segmentos 2, 3 e 4 sofreram a mesma grandeza (retas aproximadamente paralelas e positivamente inclinadas). Pode-se dizer o mesmo para os segmentos 1 e 5, a diferença é que a interação dos efeitos age de forma negativa com relação ao conglomerado. Pelo Gráfico 6 pode-se observar o efeito isolado do segmento e conglomerado sobre os valores do Giro do Ativo (GA). Para esta variável fica muito claro a existência do efeito conglomerado, representado por uma reta negativamente inclinada. Desta forma, além de interferir mais intensamente na variável, reage de forma negativa no caminho da verticalização, ou seja, para empresas que participaram de estruturas conglomeradas, o GA foi menor. Gráfico 6. Valores do Giro do Ativo sujeito aos efeitos de Segmento e Conglomerado Efeito Principal (dados médios) para GA S E G M E N TO

V E RT

M édia de GA

3,5 3,0 2,5 2,0 1,5 1

2

3

4

5

0

1

Interações (Valores Médios) por GA 5

SEGMENTO 1 2 3 4 5

M édia

4 3 2 1 0

1 C or por ação

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Já com relação ao efeito da interação dos efeitos com a variável GA, nota-se (Gráfico 6) que o segmento 1 aproximou-se muito de uma reta paralela ao eixo das abscissas, portanto não sendo significativa a interferência dos efeitos. Para os demais segmentos, pode-se dizer que existe a interferência dos efeitos com graus de intensidade distintos, aparentando haver uma proximidade dos segmentos 2 e 4. O segmento 4 deve ser destacado dos demais, pois claramente existe a interferência dos efeitos conjuntos, de forma intensa e positiva no caminho da verticalização. Já no segmento 5 existe o efeito, é intenso e age de forma negativa ao conglomerado.

5. CONCLUSÕES

Após os resultados e discussão pode-se concluir o seguinte:

a) Que existe uma interferência significativa da variável SEGMENTO sobre os valores médios da Margem Líquida, do Retorno sobre o Investimento e do Giro do Ativo. Assim, pode-se inferir que empresas de um determinado segmento apresentaram índices de rentabilidade significativamente diferentes de outro segmento do mesmo sistema agroindustrial; b) Pode-se desta forma ordenar os segmentos segundo a Margem Líquida, o Retorno sobre Investimento e Giro do Ativo, desta forma:

SEGMENTO Insumos (1) Agropecuárias (2) Agroindústrias (3) Atacadistas (4) Varejistas (5)

INDICADORES DE RENTABILIDADE ML (%) ROI (%) GA 1° 1° 5° 3° 3° 4° 2° 4° 3° 1° 4° 2° 5° 5° 2°

c) O segmento que obteve o melhor desempenho financeiro foi o de insumos, apesar da ultima colocação em aproveitamento dos ativos. Evidentemente, fica claro que é um segmento de aufere maiores margens de lucro, porem a quantidade investida em ativos não condiz com o valor das vendas líquidas; d) Os três primeiros segmentos do sistema agroindustrial obtiveram as últimas colocações com relação ao Giro do Ativo. É razoável concluir que estes segmentos, movidos pelo desejo de verticalização, o que aumentaria o controle sobre os custos de transação, acabaram investindo além do limite da sua eficiência financeira, acarretando numa capacidade ociosa das instalações; e) Analisando o efeito CONGLOMERADO isoladamente, notou-se que não houve qualquer interferência significativa sobre o desempenho financeiro das empresas. Desta forma, fazer ou não parte de um conglomerado dentro de um sistema agroindustrial não garante melhores ou piores desempenhos;

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f) Quando se analisou o efeito conjunto das variáveis SEGMENTO e CONGLOMERADO, concluiu-se que somente a variável Giro do Ativo sofreu influencia significativa. Este resultado já era de se esperar, pois o fato de uma empresa participar de um conglomerado pode causar uma superestimação da necessidade efetiva de capital investido em ativos produtivos. Somente os segmentos da Agropecuária e dos Atacadistas obtiveram um Giro do Ativo maior quando exposto ao efeito conjunto, ou seja, neste caso, fazer parte de um conglomerado melhora o resultado do Giro do Ativo; g) Finalmente, pode-se concluir que não há uma isonomia dos índices de rentabilidade quando se comparou os segmentos de um sistema agroindustrial. Fato este que inevitavelmente trará um desequilíbrio nas boas relações comerciais, justificado pelos ativos altamente específicos que são transferidos entre os segmentos. Fica muito claro o destaque das empresas do segmento de Insumos que auferiu a maior margem de lucro, estando estrategicamente posicionada no inicio do sistema agroindustrial. Tal como o consumidor final é considerado o coordenador das cadeias agroindustriais (pelo ponto de vista do Marketing), justificado pelo seu poder de interferência no tipo e qualidade dos produtos ofertados, o segmento de Insumos pode ser considerado o coordenador da cadeia pelo ponto de vista financeiro.

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6. BIBLIOGRAFIA

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