XV ENCONTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DO NORTE E NORDESTE e PRÉ- ALAS BRASIL.

March 21, 2018 | Author: Valdomiro Schmidt da Cunha | Category: N/A
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XV ENCONTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DO NORTE E NORDESTE e PRÉALAS BRASIL. 04 a 07 de setembro de 2012, UFPI, Teresina-PI. GT 19: Juventudes, territorialidades e identidades.

GRAÇAS A DEUS TENHO LAZER: estudo sobre o lazer dos jovens evangélicos Rayane de Moura Santos - [email protected] Instituto de Educação Superior do Ceará - IESC

TERESINA - 2012

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RESUMO

O ensaio discute o modo como as juventudes da cidade de Timon-MA vivenciam o lazer, com vistas a compreender como a religião influencia suas práticas de lazer. Tive como objetivos: entender a relação existente entre juventude, lazer e religiosidade; apreender o que significa lazer para jovens evangélicos; traçar o perfil das práticas de lazer entre os mesmos e evidenciar o preconceito sofrido por jovens evangélicos em relação às suas práticas de lazer. Por meio da investigação, evidenciei que os jovens evangélicos têm formas de vivenciar a juventude e as experiências de lazer semelhantes aos não evangélicos. Atribuem, porém, sentidos diferentes à juventude e ao lazer. Eles vivenciam suas juventudes e escolhas de lazer, influenciados pela religião da qual são adeptos, pautando seus modos de vida na religião. As práticas de lazer dos jovens evangélicos vão além dos pré-conceitos existentes PALAVRA-CHAVES: Juventude; Lazer; Religião. ABSTRACT

The essay discusses how the youths of the city of Timon MA-leisure experience, with a view to understand how religion influences their leisure practices. I had the following objectives: to understand the relationship between youth, leisure and religion; grasp what it means leisure for young evangelicals, to profile the leisure practices between them and highlight the prejudice suffered by young evangelicals in relation to their leisure practices. Through research, I pointed out that young evangelicals are ways to experience youth and leisure experiences similar to non-evangelicals. Attribute, however, different meanings to youth and leisure. They experience their youth and leisure choices, influenced by the religion of which are supporters, basing their livelihoods on religion. The leisure practices of young evangelicals go beyond the pre-existing concepts. KEYWORD: Youth, Leisure, Religion.

INTRODUÇÃO O lazer e a religião são aspectos muito relevantes na formação das identidades juvenis, por esta razão devem ser entendidos em uma perspectiva multicultural, para que não esqueçamos a importância de uma das dimensões que tem ocupado o tempo livre de muitos jovens, o lazer ligado à religião. Este trabalho, resultado de uma pesquisa realizada entre os meses de agosto e novembro de 2010, na cidade de Timon-MA, tem como finalidade geral, apresentar o relatório do estudo do seguinte problema de pesquisa: Como os jovens evangélicos da cidade de Timon-MA vivenciam o lazer.

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Muitos ainda têm uma visão limitada de que os jovens evangélicos não se divertem, ou mesmo “não aproveitam a vida” e por isso não são felizes, pois eles não partilham das mesmas práticas de divertimento que a maioria dos jovens não evangélicos pratica. Estas e outras questões me conduziram ao estudo do tema. Pretendo então, por meio do referido trabalho, apresentar o relatório da investigação por mim realizada a respeito de como jovens evangélicos vivenciam o lazer. Proponho-me a entender este estereótipo a respeito do lazer dos jovens evangélicos, e apresentar quem realmente são eles, como entendem e vivenciam a juventude, quais suas acepções sobre lazer e como ocupam o tempo livre, entendendo quais são suas práticas de lazer, e ainda de que forma a religiosidade influencia suas vidas. Interessei-me em pesquisar algo que ainda é muito oculto para a sociedade. Existem muitos preconceitos que sobrepujam ações exploratórias deste universo cultural e filosófico tão rico e complexo como são as comunidades cristãs protestantes, bem como as influências de seus valores e costumes nas práticas cotidianas dos indivíduos que nelas estão inseridos. Esta falta de estudos a respeito desse tema ocasiona uma não identificação dos indivíduos “estranhos” por parte daqueles que são considerados “normais”, estes não apreendem o fato de que todos são sujeitos iguais inseridos numa mesma sociedade, mas que, porém, tomam para si modos de vida diferentes. Historicamente foram estabelecidos modelos padronizantes de conduta para os indivíduos, que direcionam e determinam suas escolhas, como por exemplo, a opção religiosa. Ainda há uma grande limitação quanto ao respeito à diversidade religiosa, e desse modo, são construídos estereótipos a respeito das práticas e doutrinas de religiões que historicamente foram tidas como fora dos padrões religiosos construídos. No Brasil temos o exemplo de manifestações religiosas que pouco se expandiram em razão do preconceito, como: candomblé, islamismo, budismo, religiões orientais e também o protestantismo. Embora em um contexto histórico predominantemente

católico,

como

o

brasileiro,

existem

determinadas

comunidades protestantes que nasceram em meio ao tradicionalismo católico, como a Assembléia de Deus e outras que vieram da Europa como a Igreja

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Batista. Estas enfrentaram e enfrentam muitas barreiras para sua expansão, no entanto hoje são duas das principais denominações evangélicas que mais crescem no Brasil, observando-se assim um enfrentamento contra este preconceito por parte dos evangélicos.

1. JUVENTUDES E SUAS DIVERSIDADES

Na atualidade, os enfoques dos estudos sobre juventude percorrem a trilha das transformações que se operam na vida em sociedade, mas, sobretudo, procurando compreender e explicar as complexidades das perspectivas que norteiam a leitura da forma de viver e de ser de uma parcela significativa do planeta: os jovens. Há no Brasil nas últimas décadas, um crescimento expressivo de estudos, com distintos enfoques, sobre o tema juventude. Porém, ainda é presente nessas reflexões a dificuldade de construir uma definição sobre o que de fato seja juventude, mesmo já havendo grandes avanços nessas abordagens. Para Pais (2003) a juventude deve ser vista como aparente unidade, quando se refere a uma fase de vida, e como diversidade, quando estão em jogo diferentes atributos sociais que fazem distinguir os jovens uns dos outros. Quando se refere a jovens de classe social distintas, oriundos de contextos sociais diversos, evangélicos ou católicos, estamos falando de juventude em sua diversidade, em sentidos completamente díspar do sentido juventude como fase de vida, em que podemos colocar todos os jovens sem diferenças. Segundo Carrano (2003): (...) é necessário compreender a juventude como uma complexidade variável, que se distingue por suas muitas maneiras de existir nos diferentes tempos e espaços sociais. Os jovens na sociedade não constituem uma classe social, ou grupo homogêneo como muitas análises permitem intuir. Os jovens compõem agregados sociais com características continuamente flutuantes. (p. 110)

O autor, em concordância com Pais, coloca a necessidade de entender a juventude em sua complexidade e pluralidade e que dessa forma temos a

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possibilidade de compreendê-la como um grupo heterogêneo, e que este grupo está em contínua transformação. O significado de juventude não está circunscrito apenas a uma faixa etária, com suas características fixas e perfil próprio, mas é um período de uma complexa e confusa transição própria de certa idade da vida, que também não é fixa, em que ainda se carregam as incertezas infantis e se descobre novos horizontes da vida adulta. A juventude é, na verdade, uma realidade construída a partir das várias expressões de identidades que transitam umas pelas outras e que assumem versões diferentes em espaços sociais diferentes compondo o que hoje é denominado de juventudes. Portanto, entendo juventude a partir de três perspectivas: como uma fase de vida que está entre a infância e a vida adulta, tendo em vista que carrega características destas duas outras fases, mas que não é pré-determinada por uma faixa etária; como uma unidade aparente, já que existem características universais e comuns a todos os jovens, por exemplo, estar em uma fase de vida e como juventudes heterogêneas, considerando que cada grupo juvenil é plural e cada jovem tem suas características que são as mais diversas sendo influenciados pelo meio social, histórico e cultural o qual estão inseridos. Partindo desse entendimento, é fundamental ressaltar a necessidade de que a sociedade compreenda e tome para si a idéia de diversidade, no sentido de respeitar e aceitar os jovens em sua subjetividade, com suas múltiplas identidades que direcionam suas práticas em todos os âmbitos.

1.1. A juventude dos jovens evangélicos

É comum que a sociedade veja e trate jovens de diferentes grupos sociais de maneiras diferentes, os que possuem características mais semelhantes ao que o senso comum atribui ser juventude são bem aceitos, e aqueles que não têm essas características muitas vezes são tratados de forma diferente. Apenas quando se entende a juventude como homogênea em alguns aspectos e heterogênea em outros é que se pode observar que existem

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características entre jovens evangélicos e não evangélicos que os une, os assemelham, pelo fato de estarem em uma mesma fase da vida, a juventude. Como também há características que são únicas e exclusivas de cada um desses grupos sociais, o que os torna diferentes. A maior parte dos jovens evangélicos afirma que tem uma vida agradável neste período da juventude. Assim como os jovens não evangélicos, as principais características apontadas por estes jovens ao descreverem como vivenciam sua juventude foram a dedicação aos estudos, trabalho, convivência com amigos, com a família e o lazer, mas um ponto diferente apontado foi a dedicação à igreja, ou seja à vida religiosa. Muitos destes me permitiram inferir por meio de suas afirmativas sobre o quanto a religião influencia decisivamente sua personalidade e seu caráter, de modo que, em todas as áreas, a forma de viver a vida é influenciada pela convicção religiosa que têm. Veja o que afirma essa jovem: Eu não deixo de me divertir, tenho responsabilidades, trabalho, estudo, vou pra igreja. Minha juventude é praticamente com meus amigos da igreja. Eu sempre vivo nesse meio, de escola, trabalho, mas eu me envolvo mesmo é com as pessoas da minha igreja. (Rebeca)

No lazer, na relação com os amigos, no relacionamento familiar, em tudo, os jovens evangélicos pautam suas ações em suas convicções religiosas. Isto é possível, pois, a própria igreja proporciona o fortalecimento destes laços afetivos pautados na doutrina religiosa, dessa forma em todos os âmbitos de suas vidas realizam suas escolhas e atitudes refletindo as convicções apreendidas na igreja. Nas histórias desses jovens, assim como na maioria dos jovens, o âmbito das amizades é um dos espaços mais importantes na vivencia juvenil do jovem evangélico, ele vive em redor de amigos, seja na igreja, trabalho ou escola e, principalmente nos espaços de lazer. Acerca das amizades, um dos entrevistados afirma: Eu trabalho bastante, desfruto da minha vida cristã e me divirto. Algumas atividades na igreja me atraem bastante, como por exemplo, a realização de algum tipo de competição, cultos noturnos com temática evangélica, sair pra algum lugar, uma pizzaria, uma soverteria, coisa desse tipo. Gosto muito disso, do contato, de estar com os amigos num ambiente desses, mas num

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ambiente saudável, uma saída saudável, não uma saída por sair, uma saída saudável que nós só fortalecemos nossos laços de amizade. (Jabes)

O entendimento que muitos jovens possuem acerca de si próprio, do período pelo qual transitam, retrata a afirmação da juventude como fase de transição entre outras fases da vida e ainda afirma as semelhanças entre os vários grupos juvenis. Muitos dos jovens entrevistados definiram juventude com estes parâmetros, como uma fase de transição, que carrega suas próprias características e atributos, marcadamente definidos, em que se abandonam muitas das características da fase anterior e assimilam-se novos atributos (responsabilidades) da fase posterior. Vejam o que afirmam Raabe: “Ser jovem é um momento da vida único, porque é em que há uma transição da fase da adolescência para a vida adulta.” E acrescenta: (...) ao mesmo tempo não são 100% das responsabilidades, por exemplo: ao mesmo tempo em que agora você trabalha, você tem que dar conta de seus estudos, ao mesmo tempo você ainda não se responsabiliza por uma família. (Raabe)

Quando indagados sobre como vivenciam sua juventude, muitos deles apontaram as atividades que realizam, as quais gostam muito de fazer, sendo o lazer uma delas, e que lhes traz a satisfação de estar vivendo de forma feliz a juventude, resultado da livre escolha. Jonas afirma: “Para mim é uma fase que está sendo muito boa. Faço o que gosto. Gosto de me divertir, gosto de trabalhar, gosto de estudar.” Outro jovem acrescenta: “Creio que eu estou aproveitando pelo menos uns noventa por cento de minha juventude, pois eu saio, me divirto bastante.” (Jacó). Enquanto alguns, apesar de definirem juventude neste mesmo sentido da busca do lazer, evidenciam de forma mais extrema essa busca, e afirmam acerca de uma juventude hedonista, que só busca a excitação imediata, desse modo até fugindo de suas obrigações cotidianas. Jabes declara: “Eu penso que hoje os jovens são muito ligados em se divertir, não procuram ter responsabilidade, nem compromisso com algumas coisas que poderiam estar aproveitando da vida”. Destarte os jovens evangélicos, semelhantemente a maior parte dos jovens de outras religiões, vivenciam sua juventude, rodeados de amigos, cumprindo com suas obrigações cotidianas de trabalho, estudo e família,

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desfrutando de seu vigor físico e mental por meio do lazer, porém com uma diferença, pautando suas ações nos preceitos da doutrina evangélica.

2. UMA COMPREENSÃO DA RELAÇÃO TEMPO LIVRE, LAZER E ÓCIO

No estudo acerca de como os jovens evangélicos da cidade de TimonMA vivenciam o lazer, considero interessante desenvolver algumas reflexões sobre lazer, com vistas a discutir, analisar e compreender a articulação entre lazer, ócio e tempo livre, tendo como suporte a realidade contemporânea, em que o trabalho, é reconhecido como atividade central de inserção social. Existe, porém, uma grande dificuldade na diferenciação desses conceitos, o que torna essa discussão muito complexa. Por muito tempo, esses conceitos foram confundidos, sobretudo por serem pouco estudados no âmbito acadêmico. Dessa forma, primeiramente tratarei sobre o desenvolvimento desses, tomando como referencia diferentes contextos sociais, em diferentes épocas históricas. Elias e Dunning afirmam que nas mais comuns atividades cotidianas do ser humano é evidente que não se pode conferir ao tempo livre uma significação única, como por exemplo, a clássica identificação de tempo livre como sinônimo de lazer. Por esta razão a polarização tempo livre/lazer versus trabalho é inadequada, pois nem todo tempo livre é despendido com o lazer. Desta forma, lazer é uma das dimensões do tempo livre. Tempo livre e ócio são muitas vezes confundidos e entendidos como um mesmo fenômeno social, porém são conceitos de naturezas distintas. Segundo Aquino e Martins (2007), embora muitos ainda tomem o tempo livre como atividade, este, diferentemente do ócio, é na verdade uma referência temporal, que pela qualidade de livre, adquire uma complexidade que se confunde com a ação. Por outro lado, complementam os autores, o ócio está ligado à ação, a ocupação apreciada pelo indivíduo, que é resultado de uma livre escolha e integra a personalidade de cada um, expressando sua identidade. Relaciona-se com o sentido que o indivíduo que vivencia a ação atribui à

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experiência do ócio, não dependendo da atividade em si, nem do tempo, nem do nível econômico ou da formação de quem a vivencia. Outro conceito com o qual a idéia de ócio é confundida é o de lazer. Para Marcellino (1996) o lazer é uma atividade relaxante, sociabilizante, sem fins de lucro e liberatória, devendo ser associada a duas variáveis: atitude e tempo. Na escolha e na definição das atividades de lazer, estas variáveis estão interligadas de forma interdependente. O lazer como atitude refere-se à relação entre o sujeito e a experiência vivida, ao nível de satisfação no sujeito provocado pela atividade realizada. Em relação ao tempo o lazer se refere a atividades desempenhadas no tempo liberado das obrigações profissionais, familiares, religiosas e sociais. Para Elias e Dunning (2000), os indivíduos realizam suas atividades de lazer como alívio das pulsões, e a busca da excitação é uma necessidade social, fazendo parte da formação das sociedades complexas. Neste sentido, o lazer é um instrumento facilitador da incorporação de normas, pois se não houvesse o aliviamento das pulsões sociais ocorreria uma implosão interna nos indivíduos, uma neurose coletiva, que levaria a uma instabilidade social, um caos. Esta e outras razões tornam o lazer uma esfera da sociabilidade humana tão importante quanto as demais. Observo

ainda

que

em

todos

os

autores

que

recorri

para

fundamentação acerca do lazer, é comum que o mesmo seja apontado como fundamental espaço de sociabilidades e de construção de identidades, como também fora das obrigações cotidianas. Dessa forma o espaço do lazer é fundamental para que as instituições e a sociedade apresentem seus valores éticos e morais de modo a influenciar fortemente a vida dos jovens, e por ver no lazer este caráter liberatório o indivíduo acaba não se dando conta desta influência. Destarte, o lazer e o tempo livre precisam ser entendidos como espaços de liberdade de escolhas e diversidade de opções, pois esses são princípios fundamentais e básicos nessas concepções. O tempo livre possui um caráter liberatório, em que o indivíduo pode desfrutar dele como queira, tendo a possibilidade de fazer uma escolha de lazer, a ser realizada, de acordo com seus gostos, seus valores e possibilidades. Em todas as fases da vida e também na

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juventude, há um vasto campo de opções de como desfrutar dessa liberdade de escolha no campo do lazer, considerando que esta é uma fase de vida importante, de descoberta, incorporação e afirmação de valores e gostos. Na dinâmica sociocultural do cotidiano juvenil, entender a ocupação do tempo livre é entender também os sentidos que a juventude dá ao tempo na sociedade moderna e como ela aproveita esse tempo de livre escolha. Entender o lazer na fase da juventude é observar a possibilidade de diversidade de atividades de lazer que existe. De acordo com Brenner, Carrano e Dayrell (2004): (...) é preciso considerar o lazer como tempo sociológico no qual a liberdade de escolha é o elemento preponderante e que se constitui, na fase da juventude, como campo potencial de construção de identidades, descoberta de potencialidades humanas e exercício de inserção efetiva nas relações sociais. Assim considerando, o lazer pode ser espaço de aprendizagem das relações sociais em contexto de liberdade de experimentação.

(p.178) É preciso considerar que existe uma enorme diversidade nas formas de vivenciar as experiências com o mundo. Nessa perspectiva é necessário afastarse da concepção de uma juventude homogênea, pois cada jovem, desde o período da infância, está inserido em contextos sociais diferentes e plurais, e no decorrer do seu desenvolvimento humano depara-se, em suas vivências, com os mais diversos grupos e espaços sociais, acarretando para si valores e crenças diversos. Portanto não podemos perder de vista que e o lazer é um espaço significativo no contado e na apreensão de novos valores. O momento da juventude é crucial na formação da identidade do ser humano, é nessa fase da vida que se afirmam a maior parte das escolhas de modo vida dos jovens.

3. SOMOS IMITADORES DE CRISTO: influências religiosas na vida dos jovens de Timon

Estes jovens evangélicos têm uma convicção religiosa que os fazem crentes da doutrina pregada pela igreja da qual participa, relacionando para si uma espécie de manual de conduta, pautado em um conjunto de valores que irão servir de base para todas as dimensões de sua vida. Com base nesse manual, há aquilo que deve ou não ser feito, tendo por base os princípios da doutrina que a

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igreja da qual ele é filiado transmite. Dessa forma, esforçam-se por seguir, em seu cotidiano e em todas as nuances da vida, aquilo que acreditam ser a verdade absoluta. Por estarem filiados a uma igreja evangélica, esses jovens acabam incorporando e balizando suas escolhas, ações, modos de vida e visão de mundo em preceitos religiosos. Neste universo, o significado de juventude para esses jovens, ganha um cunho religioso em que ele deve vivenciá-la dentro dos limites colocados pela doutrina da qual é adepto. Segundo uma das entrevistadas: “Ser jovem, hoje, é viver em um mundo de conflitos, em que as coisas ilícitas são muito acessíveis, em que renunciar as atrações ’proibidas’ é uma luta diária” (Rute). Outra acrescenta: Por ser evangélica, eu considero que eu vivo bem, eu vivo feliz, eu sou feliz com escolha que eu fiz, eu não lamento por perder isso ou perder aquilo que alguns jovens consideram que é felicidade, que é viver a juventude bem. Então, eu vivo bem, eu vivo feliz, eu gosto de ser evangélica, uma jovem evangélica, eu me assumo uma jovem evangélica feliz. (Raabe)

Tomando como referencia o trecho acima, a igreja evangélica desempenha um papel de transmissão dos valores considerados relevantes na formação desses jovens, demonstrando sua concepção de verdade. Por esta razão, exerce uma forte influência nas práticas de lazer diárias desses jovens, tais como as companhias nos passeios, programas de televisão escolhidas para assistir e a não frequência a estabelecimentos que remetem a uma oposição à doutrina, como por exemplo, boates, bares, dentre outros. Dessa forma, também identifiquei em suas histórias que as relações de sociabilidade são sempre pautadas nos princípios de unidade e comunhão, presentes na doutrina cristã. Tais relações são marcadas por uma forte valorização da afetividade, que busca muito mais o fortalecimento de laços de amizade entre os jovens, do que a própria satisfação do divertimento em si. Nesses espaços de sociabilidade cristã, são constituídos laços afetivos entre estes jovens que beiram às relações de fraternidade familiar.

Fica claro nas

respostas destes jovens sobre como eles vivenciam a juventude: “Minha juventude é praticamente com meus amigos da igreja” (Rebeca). Outra jovem acrescenta:

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Vivo minha juventude aproveitando as oportunidades dadas pelos meus pais, em estudos e comodidade, e vivendo cada segundo a vontade de Deus, em comunhão com meus irmãos na igreja, dividindo alegrias e tristezas com meus amigos. (Rute)

Foi revelado ainda que no dia a dia desses jovens evangélicos, eles buscam intensamente viver os valores indicados pela igreja. Em suas respostas o valor mais evidente e importante é o divino (Deus), pois eles se preocupam em estar seguindo suas vidas de acordo com a “vontade de Deus”. Observe essa afirmativa: “[...] vivo cada segundo a vontade de Deus, em comunhão com meus irmãos na igreja, dividindo alegrias e tristezas com meus amigos” (Rute). Na concepção destes jovens, dessa forma suas vidas serão mais felizes e realizadas. Estes jovens praticam os valores do cristianismo, pregado em suas igrejas, em seu cotidiano, em todas as áreas de suas vidas, buscam moldar sua personalidade e caráter segundo estes valores que consideram essenciais. Eles almejam a felicidade e uma integridade de caráter, que para serem conquistadas, julgam ser necessário “entregar-se” a Deus. Identifiquei isso em suas histórias por meio de declarações como estas: “Nossa diversão tem base em Cristo, na bíblia; [...] Nós temos que ser imitadores de Cristo, e não imitadores do mundo” (Rebeca). Além da religião, uma dimensão de grande relevância presente entre os jovens, é a do lazer. São nos espaços de lazer e da religião que o jovem tem uma diversidade de possibilidades de estabelecer relações de sociabilidades e ainda de satisfação pessoal, de acordo com sua identidade. Santos e Mandarino, (2005), ao estabelecerem uma intersecção de elementos na construção de identidades da extensa pluralidade juvenil, afirmam que “[...] O lazer, quando compreendido numa perspectiva multicultural, não deve negligenciar um dos aspectos que tem organizado o tempo livre de jovens brasileiros, o lazer religioso” (p. 191). Este tipo de lazer é organizado pelas igrejas, em especial por evangélicas, seja para agregar os jovens que dela fazem parte, seja para atrair jovens de fora. Os jovens evangélicos por mim entrevistados entendem lazer nos parâmetros

das

experiências

que

vivenciam

no

cotidiano

da

igreja,

compreendendo inclusive, que seus lazeres são a melhor forma de diversão.

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Nesse sentido, o lazer, para meus entrevistados, configura-se como um importante espaço de troca de sociabilidades e interação com outras diversas culturas. Uma expressão disso é a escolha de lazer desses jovens evangélicos. Eles escolhem práticas de lazer ligadas à religião que participam, e expressam nelas sua religiosidade. São atividades muitas vezes com grandes semelhanças às escolhas de lazer dos demais jovens, porém, o que as diferencia, é o sentido atribuído pelos jovens evangélicos a essas atividades. Sob o olhar de muitos dos estudiosos da juventude, no que concerne à liberdade de escolha, pode-se afirmar que a escolha por se filiar a uma denominação evangélica não é de todo livre, embora o jovem, na maioria das vezes, não seja obrigado, de fato, a pertencer a uma determinada igreja. No entanto, acaba sofrendo influência do ambiente social em que vive. As instituições em que estão inseridos, como família e escola; o espaço no qual residem, como o bairro e a cidade; o grupo a qual participam e os amigos com os quais convivem, é que vão exercer influência sobre estes jovens. Por definição, uma das características mais marcantes do lazer é a liberdade. Estar livre das obrigações cotidianas. Nesta perspectiva, o lazer do jovem evangélico não é de todo livre, não configura o caráter libertador em seu sentido completo, pois, embora os jovens optem por esta forma de vivenciar o lazer de livre escolha, eles são influenciados não só por fatores socioeconômicos, como citado anteriormente, mas também, e mais fortemente, pela religião. Pela formação religiosa que os mesmos recebem ao longo de sua construção como seres sociais. É esta formação que acaba determinando suas escolhas de lazer, os sentidos, o grau de satisfação e ainda a forma de ocupação do tempo livre. Neste sentido, segundo Carrano (2003): A elaboração das escolhas de lazer não se dá, portanto, como resultado de uma decisão soberana de um indivíduo isolado. A gênese da opção e da liberdade nunca poderia ser compreendida se não levássemos em conta os constrangimentos que são criados na totalidade da vida social. É neste sentido que a liberdade do lazer está profundamente associada com a essência que o sujeito tem das reais necessidades de seu processo de realização. (p.142)

Entretanto, sob o olhar de quem está inserido na religião, de alguns estudiosos e de observadores externos, a filiação a uma igreja evangélica tem sim caráter liberatório, pois, a escolha parte da visão de mundo que cada um tem, da

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forma com que se é convencido das verdades religiosas pregadas, e isto pode ser visto nos casos em que, mesmo convivendo em um ambiente predominantemente católico, por exemplo, o jovem ao conhecer a doutrina protestante escolha filiar-se a ele. Em outro aspecto o jovem também entende que poderá romper este vínculo com a religião a qualquer momento, ou seja, realizar novas e diferentes escolhas, pelo fato de se considerar um sujeito livre. Porém, após certo período de pertencimento a este contexto religioso, ele acaba absorvendo valores e princípios, os quais balizam suas ações e modos de pensar, dificultando seu distanciamento, não apenas do espaço, mas da doutrina que os regem. Nesta perspectiva, é necessário refletir sobre o significado de liberdade que cada indivíduo e cada grupo social têm como critério. Como afirmar que o jovem evangélico não exerce livre escolha sobre sua opção religiosa e de lazer, quando o mesmo acredita e afirma que se sente livre? Como questionar o sentimento de liberdade de qualquer desses, tendo como parâmetros bases outras e não as suas? Na história dos jovens evangélicos o lazer em muito se confunde com as obrigações religiosas. Ao mesmo tempo em que estes jovens estão vivenciando suas escolhas de lazer, estão também reproduzindo suas obrigações religiosas. Estes jovens não entendem suas atividades religiosas como obrigações e sim como experiências prazerosas, que lhes dão satisfação, as quais realizam em seu tempo livre e que tem o caráter de lazer.

4. OS LAZERES DOS JOVENS EVANGÉLICOS

O lazer dos jovens evangélicos, realizado no tempo livre fora de casa, se caracteriza com a ida a cultos evangélicos, a festividades comemorativas nas igrejas; viagens com os amigos; reuniões com amigos em casa; ida a restaurantes, pizzarias, churrascarias, lanchonetes, sorveterias, cinemas e na própria igreja; participação em encontros espirituais para jovens, retiros espirituais, shows de cantores evangélicos, festas dançantes com músicas

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evangélicas, caminhadas (marchas) e eventos específicos realizados pelas igrejas voltados para jovens, como seminários, conferências, dentre outros. Atualmente, estas atividades estão repletas de recursos para atrair mais jovens e muitas vezes, rompendo com o tradicionalismo ao realizar eventos se assemelham àqueles realizados fora da igreja, sem fugir dos preceitos do cristianismo. Uma forte característica das atividades de lazer destinadas aos jovens evangélicos é que sempre há um propósito maior de ensinar-los algo, tanto sobre a religião, quanto sobre a vida cotidiana, sempre há uma mensagem a ser transmitida. As atividades de lazer desses jovens são, basicamente, todas fundadas na religiosidade. Todas as práticas e os recursos que utilizam são neste sentido, as músicas, as orações, leituras bíblicas e etc. As músicas trazem conteúdo referente aos personagens bíblicos, com mensagens ligadas à doutrina cristã. Algumas atividades foram pouco citadas pelos entrevistados, como a realização de atividades esportivas, a leitura de livros, o descanso no tempo livre e ainda passeios, banhos, e apenas um citou que vai ao teatro e a recitais musicais. Nas histórias dos jovens, identifiquei que os mesmos consideram como lazer as atividades promovidas pela igreja e que são direcionadas prioritariamente aos jovens, para sua diversão e aperfeiçoamento da vida cristã. Eles também citaram como lazer, várias atividades regulares da igreja, comuns a todos os frequentadores, jovens e não jovens, são elas: 1) Escola bíblica dominical ocorrendo todos os domingos pela manhã, é um momento de estudos bíblicos, em que há turmas específicas para jovens com atividades e discussões direcionadas para essa fase de vida, sempre com base na bíblia; 2) Cultos dominicais – celebração ritualística da qual participa maior parte dos membros da igreja, todos os domingos à noite. Geralmente, os jovens ficam sentados próximos uns dos outros, durante toda cerimônia e ao final, permanecem no templo dialogando ou saem juntos para outros locais; 3) Cultos da mocidade - encontro com todos os jovens da igreja, geralmente aos sábados, para realizarem atividades com uma programação específica para a juventude, organizadas por eles próprios, composta de muita música e pregações específicas para esta fase,

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e às vezes oferecem lanche. Desse modo é comum que os jovens evangélicos encontrem-se na igreja no mínimo duas vezes por semana. Em ambas as igrejas, verifiquei que nas atividades de lazer, a maior parte dos jovens participa ativamente do evento, inclusive, apesar da presença de alguns adultos, são eles próprios que organizam e dirigem toda a atividade. Aparentemente a programação parece ser feita previamente. Além disso, alguns jovens têm um espaço na programação em que vão até o altar e expressam-se, sejam na forma de músicas, pregações ou leituras, de modo que muitos ou a maioria participem. Grande parte aparenta estar atenta à mensagem que o evento se propõe a passar, mas o nível de atenção parece aumentar de acordo com a maior idade, o que pressupõe que os mais velhos possam ser “maduros” e por isso ficam mais atentos. A preocupação de conquistar adeptos está muito presente entre os dirigentes das atividades. Outra característica é que a atividade parece envolver emocionalmente do jovem, alguns até choram, além de serem atividades com finalidade de ensinar valores aos jovens e não apenas com o propósito apenas de divertir.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por que não entender a realidade de grupos protestantes? Por que não colocar a verdade religiosa e a verdade científica em confronto? Apesar de as igrejas evangélicas ainda serem um campo pouco explorado pelos teóricos, estes espaços são repletos de peculiaridades que não devem ser desprezadas pelos pesquisadores, pois têm exercido papel importante na formação dos valores de muitos jovens, bem como têm se constituído em espaço de sociabilidade juvenil. Há que se abrirem espaços em que a invisibilidade de grupos estigmatizados possa ser discutida e encarada, para que por meio disso possam ser quebrados muitos conceitos pré-existentes. É impossível não destacar a importância que as igrejas evangélicas têm na orientação e organização dos tempos livres dos jovens evangélicos. É presente a necessidade de que os

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grupos sociais desarmem-se de seus modelos ideais de condutas, no intuito de que possa ser amenizado o sofrimento causado por situações de preconceito. Que tanto quem é diferente, quanto quem é dito normal compreenda o preconceito sofrido e/ou carregado por si mesmos. A sociedade somente deixará de construir classificações quando os diferentes fizerem parte

dos ambientes,

dessa

maneira,

haverá

maior

possibilidade de todos aprenderem a lidar com a diferença, pois a familiaridade reduz o menosprezo. Não é negar a diferença, é compreender a diferença como parte das experiências humanas e, portanto, como parte da diversidade. Por que um jovem que é evangélico não se diverte, ele não tem um “espírito” juvenil? Inquestionavelmente, o que pude observar em toda pesquisa, a partir das conversas e entrevistas, é que os jovens evangélicos, sujeitos desta investigação, trazem em si felicidade, na forma em que estes entendem felicidade, mesmo diante do preconceito que sofrem, das limitações de espaços de lazer e de outras questões. Em seus discursos, eles não se sentem controlados pela religião, na forma que entendemos o controle, pelo contrário, afirmam que vivem suas convicções livremente e demonstram a satisfação de suas expectativas juvenis. Neste sentido, as teorias devem ser capazes de compreender como estes jovens pensam e vivem. De acordo com suas convicções, os jovens sujeitos desta investigação, têm suas formas de entender o lazer e suas práticas, distinguindo, o que para eles é certo ou errado, e daí provém o preconceito contra as práticas de lazer dos jovens não evangélicos. “Eu nem considero como lazer, não vou mentir. Eu acho que os jovens não evangélicos, hoje em dia, só saem para beber, usar algum tipo de droga, e para a questão do sexo” (Rebeca). Outro aspecto identificado nas entrevistas é que não há espaços de lazer voltados para os jovens evangélicos, eles necessitam desses ambientes em que possam igualmente compartilhar experiências e vivências com seus pares, para que se possa conversar de “igual para igual”. Neste sentido, no intuito de manter seus jovens e atrair outros, as igrejas evangélicas preocupam-se em criar novos espaços de lazer que atendam aos interesses dos jovens tomados pelo consumismo. Esses espaços hoje não

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seguem mais tão rigidamente os padrões cristãos, pois o importante é atrair quem quer que seja. Para isso as igrejas utilizam-se de práticas anteriormente consideradas concupiscentes, porém hoje classificadas apenas como “modernas”. Dentre estas práticas, podemos citar festas com jogo de luz e DJ, músicas nos estilos suingueira, pagode, eletrônico, forró, entre outros. O que antes era pecado ganha a terminologia “gospel” para tornar-se aceitável. Será que a vida religiosa se limita apenas ao que os nossos olhos podem ver? Existe uma riqueza de atividades que acontecem dentro das igrejas evangélicas que vão além dos cultos, além dos estereótipos construídos historicamente. As experiências desses jovens evangélicos dentro da religião que participam tornam-se invisíveis para o mundo da ciência e pouco entendidas pela sociedade, pois além de serem insuficientemente pesquisados, alguns teóricos tratam acerca do controle que as igrejas evangélicas exercem sobre seus fiéis, sem, no entanto, precisarem em que aspecto o controle exercido no interior destes espaços, difere das outras formas de controle existentes no âmbito da sociedade. De acordo com Pais (2003) o importante em qualquer estudo a respeito da juventude é investigar como os jovens do grupo pesquisado vivem, pensam e sentem suas experiências em seus grupos. Um dos equívocos presentes em muitos estudos acerca da juventude é que estes aspectos não são considerados. Os jovens são pesquisados apenas a partir das teorias préexistentes e não são tornadas relevantes suas experiências, não é observado como eles vivem, pensam e sentem, os pesquisadores parecem que apenas os tipificam de acordo com o que algumas teorias dizem acerca das escolhas e ações destes jovens. Frente a isto, cabe indagar: Até que ponto isso é real? O controle realmente existe? Ou apenas estas pessoas escolhem suas crenças, e como desejam viver suas vidas? Muitas teorias não consideram o ser humano em si, suas experiências de vida, pois inferem sobre uma realidade que está distante deles, e ao realizar pesquisas trazem conceitos fixados que fecham seus olhos para muitas realidades. Muitos estabelecem como os jovens evangélicos são e que são controlados, mas não consideram que eles não se sentem assim, não sentem que são controlados pela religião. Vivemos em uma sociedade

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democrática, em que os indivíduos têm total liberdade de escolha. Se controlados ou não, não é a questão central, mas é necessário o respeito e a aceitação às escolhas individuais, e estudar os sujeitos a partir de suas vivências.

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